Suicídio entre jovens de 15 a 29 anos

Suicídio mata 7,3% de um total de 1,3 milhão de jovens, perdendo somente para os
acidentes de trânsito

Ana Giese

“Muitas vezes as pessoas que vêm tendo essas ideias suicidas, verbalizam isso de alguma forma, é importante considerar isso não como uma forma de chamar atenção, mas de um pedido de ajuda. Entre a maioria daqueles que tentaram o suicídio ou se suicidaram, segundo pesquisas, apresentavam algum tipo de transtorno mental, de humor, como a depressão”, explica Lélia Emika Eto, psicóloga da cidade de Sorocaba, que acredita que a melhor forma de prevenir problemas semelhantes com os filhos é através do diálogo, construído desde a infância.

 O suicídio é a segunda causa de mortes violentas entre jovens (Foto: Letícia Yoshimura)

De acordo com os dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é, atualmente, a segunda causa que mais mata jovens entre 15 a 29 anos, no mundo - ainda que de acordo com os estudos, os idosos são mais propensos a recorrerem ao suicídio. O número chega a ser maior do que os de vítimas do HIV, com 7,3% das mortes, perdendo apenas para os acidentes de trânsito, que matam 11,6% do total de 1,3 milhão de jovens que morrem anualmente de causas evitáveis ou tratáveis.

“Segundo a Organização Mundial de Saúde, o suicídio não é a principal causa de mortes entre os jovens, mas é a principal causa evitável de morte prematura. Sendo assim, é de suma importância que se realizem mais ações públicas voltadas para a prevenção do suicídio”, opina Lélia.

 

Anualmente 800 mil pessoas cometem suicídio e para cada caso fatal há pelo menos cerca de 20 tentativas mal sucedidas. Essas pessoas, em grande parte, são do sexo masculino, mas as mulheres são as responsáveis pelo maior número de tentativas.

 

Apesar disso, é comum que as pessoas acreditem que o oposto é o que de fato acontece, porque está enraizada culturalmente a idéia de que a mulher é o sexo frágil, e assim são mais suscetíveis ao ato. As tentativas, muitas vezes, são um pedido de ajuda, o que significa que por conta de uma sociedade machista, os homens buscam por ela em menor número.

 

No Brasil, o índice é de 6,9 casos para cada 100 mil habitantes, relativamente baixo se comparado a países como Índia, que assumem a liderança do ranking. Em 2014, segundo a cartilha Os Jovens do Brasil - Mapa da Violência produzida pela Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio, (ABEPS), no Japão ocorriam sete suicídios para cada homicídio e 4,2 mortes no trânsito para cada homicídio, bem diferente do que acontece aqui.

 

Os fatores que levam ao suicídio ainda são desconhecidos e subjetivos, já que variam de pessoa para pessoa. Em geral sabe-se que está relacionado a alguns transtornos ou traumas psicológicos, como a depressão e a ansiedade.

 

“Acredito que não tenha um fator isolado, é um conjunto de situações, mas problemas de saúde mental influenciam muito no impulso de tentar se livrar do sofrimento através da morte. Alguns estudos indicam uma predisposição genética, mas ainda há muito a ser investigado para se afirmar isso e se seria social. Com certeza, a situação de um país que não consegue oferecer uma boa qualidade de vida a seus cidadãos contribui para esse e outros problemas sociais. Mas não podemos esquecer que países desenvolvidos também enfrentam o problema de suicídios, seja entre os jovens, adultos e/ou idosos. Assim, creio que para uma melhor compreensão sobre as causas que levam uma pessoa a essa atitude extrema seria estimular o debate sobre o assunto e ouvir as pessoas envolvidas. Ouvir o que os jovens têm a nos dizer”, completa a psicóloga Lélia.

 

De acordo com os órgãos de saúde que tratam a doença como o CVV, as campanhas seriam realizadas muito mais facilmente se a mídia abordasse o tema de modo diferente do que tem feito por medo do efeito Werther - onda de suicídios depois de um caso amplamente divulgado. O termo se originou depois do lançamento do livro “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Goethe onde o protagonista, apaixonado por uma mulher fora de seu alcance, se suicida e que teria levado a um surto de suicídios de jovens -. Como uma forma de alerta, um mal que atinge a todos.

CVV

Ana Giese

Fundado em 1962 em São Paulo, o CVV é uma associação civil filantrópica, sem fins lucrativos, que presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que precisam e querem conversar, sob total sigilo. 

 

Segundo o porta-voz, o suicídio trata-se, na maioria das vezes, de um problema que pode ser prevenido, e fazer isso é um dos seus maiores esforços. Foi por conta deste motivo que assumiu como tarefa, desde sua criação, estimular essa discussão, ação esta que passou a merecer mais empenho nesses últimos anos.

 

Com aproximadamente 2.000 voluntários nos 72 postos espalhados pelos 18 estados, mais o Distrito Federal, nos quais atua, a instituição faz mais de um milhão de atendimentos anuais. Os contatos são feitos pelo telefone 141, pessoalmente ou pelo site www.cvv.org.br via chat, Skype e e-mail.

 

De acordo com Sandra Maria Góes de Moraes, coordenadora do posto de Bauru e voluntária há seis anos, a unidade local recebe uma média de 800 ligações mensais. Após o grande sucesso da série original da Netflix, 13 reasons why - que conta a história de Hannah Baker, uma garota que se suicidou e deixou 13 fitas explicando seus motivos -, os e-mails dobraram. “Aumentou em quatro a cinco vezes o número de e-mails recebidos. Acredito que as pessoas se identificaram com o sofrimento dos personagens e isso fez com que buscassem ajuda.”, disse ela.

Quando questionada sobre os sinais aos quais se deve atentar e os tipos de prevenções a serem tomadas em relação a uma pessoa com tendências suicidas, Sandra alega que “de cada 10 pessoas que se matam, oito disseram que o fariam. Então devemos prestar atenção àquela pessoa que mudou o seu comportamento repentinamente, está mais triste, calada, isolada, aquela pessoa que vem dizendo que gostaria de sumir, desaparecer. Provavelmente essa pessoa está precisando de ajuda e não custa nada perguntar "você está bem, como posso te ajudar?", se colocar disponível para que a pessoa possa desabafar”, aconselha.

Uma história a ser contada

A estudante de administração já tentou o suicídio duas vezes durante adolescência e
hoje conta que teve sorte em ter tido uma terceira chance

Bianca Maciel

 Quando uma pessoa se automutila ela não quer atenção, ela pede ajuda

 (Foto: Letícia Yoshimura)

Ludmila Rezende tem 19 anos e já tentou o suicídio duas vezes. A primeira delas aconteceu quando tinha 16 anos. Em entrevista, a adolescente contou que o bullying na escola, os diversos problemas com a mãe e o padrasto foram os principais motivos que a levaram a beber uma mistura de álcool, anfetaminas e analgésicos, que em altas doses causam parada cardíaca.

 

“Na primeira vez eu tinha brigado com a minha mãe e o meu padrasto me bateu. Era como se eu não tivesse mais racionalidade ou consciência, foi uma coisa por impulso. Mas é obvio que eu já vinha pensando nisso algumas vezes, mas por outros motivos. Apanhar daquele jeito sem ter ninguém pra me defender foi como a gota d’água”, conta. Após ingerir a mistura das drogas, a moça deitou-se na cama e ficou “esperando a morte chegar”. Foi a mãe que a encontrou passando mal alguns minutos depois e a levou para o hospital, onde a jovem permaneceu internada durante alguns dias.

 

A estudante do primeiro ano de administração também contou que não demorou muito para a notícia da tentativa de suicídio chegar aos colegas da escola, e que ela se tornou piada. “Os professores ficavam sem saber o que me dizer, e alguns alunos ficavam rindo de mim. Foi muito difícil. A minha família dizia que eu estava querendo chamar atenção. Chegaram até a me dizer que, se eu queria mesmo ir, tinham outros jeitos mais rápidos que tomar remédio e ficar dando trabalho. E foi isso que eu fiz. Quatro meses depois da primeira tentativa, eu cortei os pulsos com uma gilete, deitei no chão do banheiro da minha casa e fiquei esperando”, lembra. Ela foi encontrada por uma tia, que a levou para o hospital depois de já ter perdido muito sangue.

 

Dessa vez a recuperação demorou um pouco mais, e a jovem passou a ter acompanhamento psiquiátrico regularmente. Após a segunda tentativa, a escola começou a proporcionar diversas palestras e projetos para identificar e combater a depressão e as tendências suicidas nos alunos.

 

Matheus, 20 anos, é primo de Ludmila e diz que a primeira tentativa foi um choque para ele, mas que já esperava pela segunda devido à forma errada como a família lidou com o problema. “Quando aconteceu a primeira vez, eu fiquei espantado e com muito medo, porque os meus tios começaram a tratar ela de uma forma muito grosseira e errada, e eu sabia que aquilo podia levar a uma segunda tentativa. Eu tentava me aproximar para conversar, mas ela sempre foi muito fechada”, explica.

 

Ludmila ainda faz acompanhamento psiquiátrico regular, e depois do ocorrido acabou mudando de cidade junto com a mãe. “Hoje eu acho que eu tive muita sorte em não ter morrido. A verdade é que ninguém quer morrer, as pessoas só querem qualquer coisa que não seja aquilo que estão vivendo naquela hora, e não é fácil enxergar isso sozinha. Algumas pessoas da minha família ainda são bem inconvenientes comigo, mas agora eu estou melhor porque tenho ajuda profissional e da minha mãe. Muita gente não tem a mesma chance que eu tive”, afirma.

 

Em casos como esse, o apoio da família e o acompanhamento médico são fundamentais para a recuperação de jovens e adolescentes que passaram ou passam por uma situação semelhante a da entrevistada. A atenção dos pais deve ser redobrada, porque qualquer mínimo detalhe pode ser um sinal de que a pessoa precisa de ajuda para lidar com a doença. A depressão e o suicídio entre os jovens são problemas muito sérios, que quando não tratados com devida atenção e cuidado, podem resultar em contratempos e transtornos ainda maiores, dos quais não há volta.

Efeito da mídia sobre o suicídio

Letícia Yoshimura

Muitas vezes o suicida é, na mídia, um reflexo borrado da realidade

 (Foto: Letícia Yoshimura)

O suicídio é um tabu entre a mídia, segundo a cartilha “Os Jovens do Brasil - Mapa da Violência” de 2014 produzido pela Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio, ABEPS. Isso ocorre no Brasil pelo medo do “Efeito Werther”. Lançado em 1774, o livro “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Goethe, conta história do jovem Werther, que apaixonado por uma mulher fora de seu alcance se suicida ao final da trama. O livro teria originado um surto de suicídios de jovens usando a mesma roupa do personagem ou mesmo método em diversos lugares do mundo.

 

Desde então, o suicídio virou um tabu, tornando-se uma barreira a ser quebrada por profissionais da mente, comunicadores e aqueles que lutam em prol da prevenção. Muitas organizações lutam para disseminar a prevenção do suicídio, porém, sem o apoio do governo e da mídia brasileira este pode ser um exercício dado a falência. Estima-se segundo a OMS, que se nada for feito as taxas de suicídio entre a população geral podem chegar em 1,53 milhão de pessoas até 2020.

Nos últimos meses o jogo “Baleia Azul” tem sido a principal notícia envolvendo o suicídio. O fato foi veiculado como uma forma de alerta em rede nacional de TV aberta, porém pouco explorado. Essa análise foi feita através de uma pequena comparação entre as notícias que trataram sobre o jogo, mas que só foram produzidas porque estariam tirando a vida de adolescentes. O que segundo o infográfico ao lado é uma das poucas situações onde a mídia abordaria o assunto, por se tratar de algo que afeta a coletividade.

 

Em questionário desenvolvido pela redação para saber a opinião pública sobre a participação da mídia na visibilidade que o suicídio tem recebido, e obteve-se mais de 120 respostas de jovens entre 15-29, 65% das pessoas disseram que a ação realizada pela mídia acerca do assunto ajuda a diminuir os índices ao invés de aumentá- lo.

 

No entanto, segundo o relatório “Os Efeitos da Mídia Sobre o Suicídio”, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), entre os anos de 1980 a 2009, a mídia chegou a ser o terceiro motivador de suicídio entre os jovens de 15-29 anos. Dependendo de como é feito, o produto midiático pode servir de gatilho para quem tem tendência a se suicidar. No caso da série da Netflix 13 Reasons Why , a repercussão resultada foi positiva, ajudando as pessoas a se conscientizarem e procurarem por ajuda.

 

Sandra Maria Góes de Moraes – Coordenadora do CVV de Bauru, avalia: “Não vejo pontos negativos, desde que adolescentes assistam acompanhados de um adulto que possa ir conversando e elucidando as questões que são apresentadas na série. Acho que trouxe visibilidade para um assunto que ainda é tabu em nossa sociedade, o suicídio”.

13 Reasons Why

Bianca Maciel

13 Reasons Why é uma série baseada no livro best-seller de mesmo nome de Jay Asher. A série foi criada e adaptada pela Netflix em 2017, para mostrar um pouco do mundo supérfluo e muitas vezes cruel dos adolescentes. A trama começa quando Clay Jensen recebe uma caixa de sapatos com treze fitas enviadas por Hanna Baker. Nas fitas, a moça narra detalhadamente cada um dos treze motivos que a levaram a tirar sua própria vida. A primeira temporada se divide em treze episódios, cheios de cenas e acontecimentos fortes, tensos e sombrios que fazem as pessoas refletir sobre a lei da ação e reação.

 

A série foi um sucesso e em seu primeiro mês de exibição já era um dos assuntos mais comentados da internet, tanto de forma positiva quanto negativa. Algumas pessoas declaram que a série não mostra uma saída para os problemas da adolescência, sendo um possível gatilho para pessoas com tendências ao suicídio. Mas alguns fãs defendem a teoria de que mostrar um assunto tão delicado em um meio como a Netflix, que alcança milhões de pessoas todos os dias, pode fazer o mundo refletir mais sobre o bullying que tem tomado conta das escolas. No mês passado, a Netflix confirmou a renovação da série para uma segunda temporada, que provavelmente vai dar enfoque aos outros 13 personagens citados nas fitas de Hanna Baker.

Jogo Baleia Azul

Letícia Yoshimura

O jogo Baleia Azul teve seus primeiros relatos na Rússia e houve casos aqui no Brasil. Até hoje não se sabe por que nem a razão do nome. O jogo é iniciado em grupos de Facebook e conversas fechadas, o indivíduo que entra no grupo é “apadrinhado” por outro participante mais experiente, que é chamado de Curador. A partir disso, são dados 50 desafios de automutilação e resistência, que devem ser feitos e provado através do envio de fotos para o curador. O último desafio é tirar a própria vida.

Jogo Baleia Rosa

Bianca Maciel

Em resposta ao jogo mediático Baleia Azul, a “corrente do bem” Baleia Rosa tem circulado na internet, com o propósito de incentivar as pessoas a fazerem boas ações. A ideia surgiu quando um designer e uma publicitária de São Paulo criaram uma página no Facebook chamada Baleia Rosa, a fim de ensinar os mais novos a praticar o bem, como ajudar alguém que sofre ou já tenha sofrido bullying, fazer algo generoso ou ser respeitoso com todos ao seu redor.

 

Em poucos dias a corrente já havia viralizado na internet, e em menos de uma semana alcançado 160 mil curtidas. O que ninguém esperava era que o sucesso da página faria - enquanto na internet divulgavam os casos de vítimas da Baleia Azul no Brasil e no mundo – com que os seguidores da página compartilhassem e disseminarem mensagens em pró da vida nas redes sociais.

 

Atualmente a página da corrente do bem possui cerca de 290 mil seguidores no Facebook, 4,5 mil seguidores no Twitter, 51,1 mil seguidores no Instagram, e um site oficial, o baleiarosa.com.br, onde os seguidores podem postar fotos realizando os “desafios do bem” diariamente.

 

Para pregar o amor a vida e as boas ações, o movimento também conta com a ajuda de um aplicativo disponível para Android e IOS, onde após efetuar seu cadastro os usuários recebem desafios diários em seus smartphones.

Suicídio entre profissionais da medicina

Ana Giese

Atualmente, a situação econômica, social e política do Brasil e grande parte do mundo, tem influenciado muito na saúde mental da população. Os índices indicam que milhões de pessoas sofrem de algum tipo de transtorno mental - sendo eles e as razões que levam a desenvolvê-los as mais diversas – e que podem levar ao suicídio.

 

A pressão, por exemplo, pode ser um dos fatores responsáveis pelo desencadeamento desses transtornos, principalmente entre pessoas que estão submetidas a grandes responsabilidades e estresse, como é o caso de jovens universitários, preocupados com o futuro, e profissionais da área de medicina, dos quais as vidas de milhares de pessoas dependem.

 

Segundo a pesquisa “Suicídio entre médicos e estudantes de medicina”, a taxa de suicídios entre médicos é bastante elevada, mais elevada que entre a população geral, e algumas das razões responsáveis por esse número, como apontadas por Simon e Lumry no relatório “Suicide among physician-patient. J NervMentDis" de 1968, são derivadas do fato de os mesmos se fecharem para qualquer tipo de intervenções, negarem o estresse, o desconforto psicológico e as inclinações suicidas as quais são submetidos, além da negligência por parte dos familiares que acham que se tratando de médicos, sabem se cuidar, e alcance aos métodos mais eficazes para êxito da ação.

 

Mas a maior causa e perigo, tanto para estudantes quanto para profissionais da área, é a questão de os mesmos se compararem a um ser onipotente e assumirem compromissos de mesma natureza, o que pode levar a sentimentos de culpa em eventuais fracassos e favorecer o surgimento de quadros depressivos e suicídios, além do abuso de álcool e drogas. O que é bastante comum já que como um indivíduo ativo, muitas vezes, ambicioso, competitivo e individualista, é facilmente frustrado em sua busca por realização e reconhecimento.

Assim, é importante que médicos e integrantes da família, estejam sempre atentos aos sintomas de algum quadro psíquico que possa levar ao suicídio e busquem se necessário, por ajuda. Principalmente, as profissionais do sexo feminino, já que nesse caso, ao contrário da população geral, possuem uma taxa de suicídio quatro vezes maior que os homens.

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